14/01/09
Os filhos da alienação - Ivanilde Moreira

Ivanilde Moreira
www.adidatica.com.br

Os tristes números da educação brasileira escancaram uma realidade muito perversa.

Entre as inúmeras variáveis contempladas nessa matemática desastrosa, uma me chama mais a atenção: a alienação imposta às nossas crianças e jovens.

Tal processo alienante recebe uma grande “contribuição” da televisão brasileira, que através dos monólogos que produz, não dá àquele que a assiste, possibilidade de contestação.

Dessa forma, o produto final é um sujeito acrítico, de personalidade passiva.

Não tenho nada contra a televisão (imagina se eu tivesse!); seria ingenuidade minha fechar os olhos para este veículo de comunicação e acreditar que sobreviveria sem a sua influência.

O que ocorre, no entanto, é que assisto à programação com olhos de diálogo, sempre procurando analisar o que vejo e questionar aquilo que não concordo.

Numa canção interessante, Gabriel O Pensador afirma que a programação existe para manter o sujeito sentado em frente à TV sem que ele perceba que o programado é ele mesmo.

Creio que o caminho seja este quando se trata da educação de nossos jovens e crianças: quebrar o monólogo e instalar o diálogo!

Canções como a do Gabriel O Pensador poderiam ser trazidas para as salas de aula para que através da linguagem de um cantor jovem, nossas crianças e jovens pudessem aprender a pensar sobre o que vêem e escutam

Na realidade, crianças e jovens ficam expostos à Tv, recebendo “verdades empacotadas” pela mídia e ninguém ou quase ninguém abre caminhos para uma conversa em que seja possível o questionamento dessas.

Vejamos o caso do “Big Brother”.

O problema já começa no título. Por que escrevê-lo em língua inglesa se no Brasil falamos a língua portuguesa? Só a partir deste titulo abrem-se inúmeras possibilidades de diálogo com o filho ou o aluno.

Além disso, a pessoa que se submete às regras do referido programa está ensinando às nossas crianças e jovens que valores como amizade não interessam mais aos homens.

Analisemos por exemplo, a cena em que um dos participantes deve sentar-se na cadeira e dizer “gosto muito do fulano, mas vou mandá-lo para o paredão.” Como alguém pode gostar de uma pessoa e prejudicá-la por dinheiro?
Enfim, tudo isso deve ser questionado.

O mesmo deve acontecer com os textos de músicas atuais, de conteúdo leviano. Além de questionar o conteúdo imbecil, o adulto deve possibilitar às crianças e jovens, outros textos de melhor qualidade para que através de análises e comparações, eles sejam capazes de selecionar o que interessa e descartar os lixos que nada acrescentam à sua vida emocional, social e intelectual.

Ensinar a pensar e a não acreditar em tudo o que vê e ouve: penso que essa é uma estratégia Interessante para ser utilizada por aqueles que ainda acreditam no poder transformador da educação.

É muita covardia do adulto deixar crianças e jovens à mercê da própria sorte, abandonando-os e entregando-os facilmente para os lobos do mercado.

Se quisermos mudar o país e reverter os números da triste matemática demonstrada pelas estatísticas nacionais, é preciso começar o processo de mudança pela formação dos homens do futuro e isso somente a educação pode fazer.

 
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