14/01/09
União entre grupo privado, ONG e comunidade revoluciona escola da periferia - Gilberto Dimenstein

Na periferia de São Paulo uma escola volta a brilhar. “Agora estamos em busca da sexta estrela, porque hoje ela já tem cinco”, fala Rosangela Macedo Moura, diretora da Escola Estadual Dr. Francisco Brasiliense Fusco, no bairro do Campo Limpo. Depois de cair no conceito da comunidade a escola deu a volta por cima firmando uma parceria com o Grupo YPY - rede de publicidade e comunicação, integrado pelas agências África, DM9DDDB, MPM, Loducca e Eugênio.

Há cerca de um ano a Fusco foi adotada pelo Grupo, teve sua estrutura totalmente revitalizada e ganhou novas propostas educativas. “Queremos transformar a escola na melhor de São Paulo e do país”, declara Luis Roberto Pires Ferreira, integrante do YPY. Para isso, procuraram trabalhar em conjunto com profissionais gabaritados como a paisagista Isabel Duprat, uma das mais conceituadas do país. Ela doou um projeto para ampliar a área externa da escola, transformando o espaço ocioso em parque florido e diferente da aridez das escolas públicas tradicionais. Outra importante colaboradora é a arquiteta Moema Wertheimer, que voluntariamente desenvolveu a sala de informática, a sala de música, a briquedoteca e biblioteca que antes não existiam.

Aparelhos de televisão e DVDs também estão sendo colocados nas salas de aula. Já na parte pedagógica, um grupo de 150 voluntários (composto por profissionais do YPY, entre colaboradores e acionistas) desenvolvem programas de arte, informática, esporte e saúde. Com isso as melhoras ficaram nítidas, como comprovam os índices:

Número de alunos matriculados: cerca de 1.200 para 1.600 (recorde em toda a história da escola).
Evasão escolar: redução de 9,9% em 2004 e 2005 para 7,1% em 2006.
Depredação: caiu o registro de ocorrências de 57 para apenas 6.
Programa Escola Aberta: aumento de 8 (2005) para 33 cursos e atividades diversas (em 2006) e de 200 para 450 pessoas por semana.
Voluntários da comunidade: crescimento de 5 em 2005 para 57 em 2006.
Rotatividade de professores: zero em 2006 (primeira vez na história da escola).
Migração de alunos de outras escolas para o Fusco:
média histórica: 3. Em 2006, 8 escolas perderam alunos para o Fusco.
Associação de Pais e Mestres (20 integrantes): em 2006, 15 integrantes participaram ativamente contra 2 em 2005.

As benfeitorias não param por ai. Além de apoiar o ensino, o Grupo passou a oferecer bolsa trabalho aos alunos da Francisco Brasiliense Fusco. Até o fim deste ano, 12 estudantes atuarão profissionalmente nas agências de publicidades, sendo capacitados em fotografia e computação. Os fornecedores do YPY também entrarão no projeto de contratar os jovens.

“Acreditamos no casamento entre o Estado, terceiro setor, setor privado e Associação de Pais e Mestres”, diz Ferreira ao explicar que tudo isso só foi possível com o apoio da ONG Parceiros da Educação e da Associação de Pais e Mestres da escola. O comprometimento da diretora foi outro fator que ajudou bastante, “queríamos interferir em uma instituição que tivesse uma diretora comprometida com a educação”. Rosangela se encaixa exatamente nesse perfil, sua paixão pela Fusco faz com que viaje todos os dias de Santos (cidade onde mora) até a capital para gerir a escola.

 
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